sábado, 20 de agosto de 2011

Nós costumávamos andar de mãos dadas, e eu segurei as qualidades dela com a mão e guardei-as no bolso. As vezes eu a achava idiota e tudo o que mais queria era me distanciar dela, mas em alguns momentos era nela que eu pensava. Ela nunca havia se metido nos problemas que eu me meti, ela tinha um jeito pra tudo. Acreditava nos sonhos, nas pessoas. Eu fui querendo me distanciar dela, e consegui. Ela foi sumindo e aparecia raramente. Quase não a via, não pensava no que ela faria. Foi como se ela soltasse minha mão enquanto atravessávamos a rua. E talvez tenha sido melhor, a inocência pode te meter em encrencas também. O mundo adulto chama. E eu sinto falta dela. Embora ela ainda está aqui dentro em algum lugar, talvez metida no fundo do bolso num retrato que tirei a tanto tempo que nem me lembro mais, talvez na memória da infância doce que tive. Afinal, ela é quem eu fui um dia e eu sou quem ela será, pois somos apenas uma, pois somos a mesma garota, em duas fases distintas da vida.

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