Houve silêncio, e mãos quase pingando de suor, ainda silêncio. Sem cigarro pra acender ou celular pra apertar os botões. Apenas um silêncio quase constrangedor e olhares perdidos procurando um ponto pra se prender. Respirações ofegantes cortando-o. Sem dizer nada, mãos molhadas se encontram, misturando seus suores. Respira mais forte, vem cá pensa mas não sai, mas não diz. Mas puxa e toca os lábios docemente, depois com fúria os aperta contra o seus como se desejasse torná-los um só, então quando se olham depois, sorriem. Teve vontade de dizer 'gosto tanto de você' mas achou demais pra apenas um beijo. E que beijo. Sabe, todos beijam como se fosse só unir os lábios, mas aquilo era mais. Aquilo era unir as almas, os corações, as histórias, as vontades e os sentimentos. Aquilo era dizer todas as palavras bonitas que se enroscaram na garganta, todas as declarações de amor que não foram feitas. Permaneceu em silêncio, guardando na memória cada detalhe que não queria esquecer nunca mais, o cheiro, o gosto na boca, a sensação na pele. Continuava em silêncio, mas a alma gritava alto, dançava e rodopiava, a alma sacudia-se com velocidade. E continuavam intactos como estátuas aproveitando o silêncio que pairava sobre eles, as palavras coçando na boca, no coração e nos pensamentos, olharam-se e sorriram novamente ainda sem dizer nada. Não era preciso.

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